A internet está cheia de informação.
Todos os dias, uma pessoa abre o celular e encontra vídeos, anúncios, mensagens, notícias, conteúdos educativos, entretenimento e milhares de estímulos disputando os mesmos segundos de atenção.
Nesse ambiente, simplesmente transmitir informação não é suficiente.
Um anúncio pode estar tecnicamente correto e ainda passar despercebido.
Pode explicar o produto.
Apresentar benefícios.
Ter uma boa edição.
Mostrar uma chamada para ação.
Mesmo assim, não produzir nenhuma reação relevante.
Uma das maneiras de melhorar essa comunicação é parar de apresentar apenas informações isoladas e começar a construir contrastes.
Problema versus desejo.
Situação atual versus situação desejada.
Continuar igual versus mudar.
Planejamento versus movimento.
Ser ignorado versus ser percebido.
Quando existem dois cenários claros, a comunicação deixa de apenas informar e começa a provocar comparação.
É aí que o storytelling para criativos ganha força.
Comunicação precisa produzir uma imagem na cabeça
Imagine um anúncio dizendo:
“Aprenda estratégias para melhorar seus resultados.”
A frase transmite informação.
Mas qual imagem ela produz?
Agora compare com:
“Você pode continuar publicando sem saber se alguém verá seu conteúdo ou construir uma estratégia para colocar sua mensagem diante das pessoas certas.”
Existe uma diferença.
No segundo exemplo, surgem dois cenários.
A pessoa consegue imaginar a primeira realidade.
Depois consegue imaginar a segunda.
Ela começa a comparar.
Essa construção mental é uma das funções mais importantes do storytelling.
Você não precisa necessariamente contar uma história de dez minutos com começo, meio e fim.
Em um criativo curto, storytelling também pode significar apresentar rapidamente uma situação, uma tensão e uma possibilidade de mudança.
Criativos fortes normalmente possuem alguma tensão
Pense em um filme no qual o protagonista deseja alguma coisa e absolutamente nada impede que ele consiga.
Ele decide.
Executa.
Consegue.
Fim.
Provavelmente seria pouco interessante.
Narrativas precisam de alguma força contrária.
No marketing acontece algo parecido.
Existe aquilo que o público quer.
E existe alguma coisa impedindo esse resultado.
O anúncio se torna mais interessante quando coloca esses dois elementos diante da pessoa.
A estrutura básica pode ser representada assim:
DESEJO ↔ PROBLEMA
O desejo cria direção.
O problema cria tensão.
Sua solução entra como uma possibilidade de movimento entre os dois lados.
Comece pelo contraste mais simples: desejo versus problema
Essa é provavelmente uma das aplicações mais fáceis para quem precisa criar anúncios.
Primeiro pergunte:
O que meu público deseja?
Depois:
O que impede essa pessoa de conseguir isso?
Se você vende gestão de tráfego para negócios locais, o desejo pode ser:
mais clientes.
O problema pode ser:
depender apenas de indicação e movimento espontâneo.
Já existe uma ideia de anúncio:
“Você quer mais clientes, mas continua esperando que eles descubram sua empresa sozinhos?”
Outro exemplo.
O público quer:
produzir conteúdo que gere atenção.
O problema:
publica muito e continua sendo ignorado.
A comunicação pode nascer daí:
“Você vai continuar produzindo conteúdo que desaparece no feed ou vai aprender a construir mensagens difíceis de ignorar?”
A estrutura é simples porque o conflito já existe na cabeça do consumidor.
Você apenas o torna visível.
Não invente problemas que o público não possui
O contraste funciona melhor quando representa uma tensão real.
Criar uma dor artificial apenas para produzir impacto pode gerar uma comunicação exagerada e desconectada.
Por isso, antes de escrever, observe o público.
Leia:
- comentários;
- dúvidas;
- mensagens;
- objeções;
- perguntas comerciais;
- reclamações;
- conversas com clientes.
O melhor contraste frequentemente já está presente nessas conversas.
Você apenas precisa perceber os dois lados.
Cenário atual versus cenário desejado
Outra forma poderosa de estruturar o storytelling é colocar duas realidades lado a lado.
Cenário atual
Mostra aquilo que acontece hoje.
Cenário desejado
Mostra aquilo que poderia acontecer depois de uma mudança.
Imagine um restaurante.
Cenário atual:
sexta-feira à noite com mesas vazias e equipe esperando clientes aparecerem.
Cenário desejado:
a empresa recebendo tantas reservas e pedidos que precisa organizar melhor o atendimento.
O anúncio não precisa dizer:
“Somos excelentes em tráfego pago.”
Pode mostrar as duas realidades.
A comparação comunica o valor.
Venda o futuro que a pessoa consegue visualizar
Uma decisão de compra envolve expectativa.
O cliente olha para uma solução no presente tentando imaginar como sua vida ficará depois.
É por isso que frases extremamente abstratas costumam ser menos fortes.
Compare:
“Melhore sua presença digital.”
com:
“Imagine abrir o WhatsApp pela manhã e encontrar novos pedidos de orçamento esperando resposta.”
O segundo exemplo cria uma cena.
Quanto mais concreta estiver a transformação, mais fácil se torna visualizá-la.
Storytelling também é isso: transformar conceitos em situações.
Contraste não significa atacar alguém
Criar dois lados não exige transformar a comunicação em conflito pessoal.
Você não precisa atacar concorrentes.
Não precisa ridicularizar o público.
Não precisa criar polêmica artificial.
Os lados podem ser ideias.
Por exemplo:
confusão versus clareza
improviso versus processo
ser ignorado versus ser lembrado
depender de indicação versus criar demanda
planejar eternamente versus começar a executar
publicar por obrigação versus comunicar uma ideia
Existe tensão sem precisar criar hostilidade.
Comunicação morna é aquela que não pede nenhuma decisão
Um anúncio pode ser correto, educado, informativo e completamente esquecível.
Isso acontece quando nada está em jogo.
A pessoa vê.
Entende.
Segue rolando.
Ela não precisa comparar nada.
Não precisa escolher.
Não precisa questionar seu comportamento.
Não precisa imaginar outro cenário.
Uma comunicação mais forte costuma gerar alguma pequena reação mental:
“Eu faço isso.”
“Eu não quero continuar assim.”
“Eu quero aquilo.”
“Esse problema é exatamente meu.”
A primeira conversão de um criativo acontece antes do clique.
Acontece quando a pessoa deixa de ser completamente passiva.
Perguntas ajudam a transformar audiência em participante
Uma maneira simples de produzir essa reação é começar com uma pergunta.
Por exemplo:
“Você está produzindo conteúdo para ser lembrado ou apenas para manter o perfil atualizado?”
A pessoa tende a responder mentalmente.
Agora existe interação.
Outro exemplo:
“O que está impedindo seu negócio de gerar clientes todos os dias: falta de demanda ou falta de distribuição?”
Mesmo sem escrever um comentário, o usuário começa a elaborar uma resposta.
Isso reduz a distância entre quem comunica e quem recebe.
Evite perguntas genéricas
Perguntas como:
“Quer vender mais?”
possuem pouca especificidade.
Praticamente qualquer empresa responderia sim.
Uma pergunta mais interessante apresenta algum conflito.
Por exemplo:
“Seu problema é realmente falta de clientes ou você simplesmente continua falando com as mesmas pessoas?”
Ou:
“Você precisa produzir mais conteúdo ou fazer o conteúdo que já produz chegar a mais gente?”
Agora existe algo para pensar.
Contraste de escolha
Outra estrutura é apresentar duas possíveis decisões.
A comunicação pode funcionar assim:
Você pode continuar A ou começar B.
Por exemplo:
“Você pode continuar esperando o alcance orgânico decidir quantas pessoas verão sua oferta ou começar a controlar parte dessa distribuição com anúncios.”
A ideia não é fingir que existem apenas duas possibilidades no mundo.
É simplificar a decisão específica que está sendo discutida.
Uma boa dualidade organiza o pensamento.
Uma má dualidade distorce a realidade.
Contraste de consequência
Você também pode trabalhar com aquilo que acontece depois de cada escolha.
Por exemplo:
Escolha A → consequência A
Escolha B → consequência B
Em uma comunicação para um profissional que precisa prospectar clientes:
“Você pode evitar todas as conversas desconfortáveis e continuar dependendo de alguém aparecer, ou aprender a apresentar seu serviço e aumentar suas oportunidades comerciais.”
A tensão não está apenas entre duas ações.
Está entre as consequências.
O futuro negativo precisa ser plausível
Existe um cuidado importante.
Mostrar consequência não significa utilizar medo desproporcional.
Evite estruturas como:
“Se você não comprar isso, sua empresa vai falir.”
a menos que exista uma situação real que sustente essa conclusão — o que raramente acontecerá em um simples anúncio.
O contraste funciona justamente porque a pessoa reconhece algo verdadeiro.
Exagerar pode destruir a credibilidade.
Contraste de cenário
Essa estrutura compara dois ambientes ou momentos diferentes.
Por exemplo:
mundo presencial versus mundo digital
empresa antes versus depois de determinado processo
mercado antigo versus comportamento atual
trabalho manual versus processo organizado
Um artigo sobre automação poderia começar:
“Existe uma diferença entre administrar cinco campanhas manualmente e tentar repetir a mesma rotina em cinquenta contas.”
Dois cenários.
O segundo cria a necessidade da solução.
Contraste direto e contraste indireto
Nem sempre você precisa escrever explicitamente:
A versus B.
Existe também uma forma indireta.
Imagine um vídeo mostrando uma pessoa tentando criar o anúncio perfeito durante horas.
Ela escreve.
Apaga.
Planeja.
Reorganiza.
Nunca publica.
Depois aparece outra pessoa gravando uma versão simples, colocando no ar e aprendendo com os dados.
O contraste está presente mesmo sem ser declarado.
planejamento excessivo versus movimento.
Esse formato tende a ser especialmente útil em vídeos e cenas.
Storytelling pode existir em poucos segundos
Existe uma ideia equivocada de que storytelling exige conteúdos longos.
Não necessariamente.
Considere:
“Passei três semanas tentando criar o anúncio perfeito. O criativo que mais vendeu foi uma ideia que gravei em cinco minutos.”
Existe:
- contexto;
- tensão;
- contraste;
- desfecho.
Tudo em poucas linhas.
Em criativos, esse tipo de micro-história pode ser suficiente para prender atenção e introduzir uma ideia maior.
Use cenas em vez de apenas explicações
Se você quer falar sobre um negócio vazio e outro cheio, mostre.
Se quer falar sobre improviso versus processo, dramatize.
Se quer falar sobre excesso de ideias e falta de execução, represente alguém com dezenas de anotações e nenhum projeto concluído.
A imagem frequentemente comunica o contraste mais rápido do que um parágrafo.
Esse é um dos motivos pelos quais storytelling e criativo visual combinam tão bem.
Um anúncio simples pode possuir uma ideia forte
Produção sofisticada não garante comunicação forte.
É possível gravar um anúncio simples no celular e ainda possuir um excelente conceito.
Da mesma forma, uma produção cara pode não funcionar se não houver uma mensagem clara.
Antes de perguntar:
“Como vamos gravar?”
pergunte:
“Qual conflito queremos colocar na cabeça do público?”
A execução vem depois.
Uma ideia central pode organizar todo o criativo
Outro aprendizado importante é evitar criar uma campanha cheia de mensagens desconectadas.
Defina uma ideia principal.
Por exemplo:
muito potencial versus pouco resultado.
A partir daí, tudo pode conversar com essa ideia.
O gancho.
A história.
Os exemplos.
A promessa.
A chamada para ação.
O anúncio deixa de parecer uma coleção de argumentos e passa a funcionar como uma narrativa.
Big idea não precisa ser complicada
No contexto prático, pense na big idea simplesmente como a ideia central que organiza a comunicação.
Pode ser:
“Você não precisa produzir mais; precisa ser melhor compreendido.”
Ou:
“Seu problema não é falta de ideias, é falta de execução.”
Ou:
“Um anúncio não precisa falar mais, precisa criar uma imagem mais clara.”
Depois de encontrar essa ideia, pergunte:
Como posso demonstrá-la?
Qual contraste deixa isso evidente?
Que história representa essa situação?
O criativo pode validar a narrativa
Uma aplicação particularmente interessante é utilizar anúncios como laboratório de mensagens.
Você cria diferentes ideias de contraste.
Coloca no ar.
Observa a resposta.
Algumas mensagens geram mais atenção.
Outras geram mais cliques.
Algumas atraem mais leads.
Outras simplesmente não despertam interesse.
Esses resultados ajudam a identificar quais narrativas possuem maior aderência com aquela audiência.
Continue a comunicação depois do anúncio
Existe um erro comum:
o anúncio atrai usando uma ideia.
A pessoa clica.
Na página, encontra outra comunicação completamente diferente.
Depois recebe e-mails sobre outro argumento.
A jornada perde continuidade.
Se determinada tensão trouxe a pessoa até você, faz sentido continuar desenvolvendo aquela conversa.
Imagine um anúncio baseado em:
ser ignorado versus ser percebido.
A página pode aprofundar:
por que algumas mensagens passam despercebidas;
o que gera atenção;
como construir comunicação mais clara;
como a solução participa disso.
Existe coerência.
Não troque a narrativa justamente depois que ela funcionou
Se uma ideia trouxe centenas de pessoas para a campanha, ela forneceu um sinal.
Isso não significa que precisa repetir exatamente a mesma frase durante todo o funil.
Mas o problema e o desejo que despertaram a atenção deveriam continuar presentes.
O usuário precisa sentir que chegou ao lugar prometido pelo anúncio.
Crie várias narrativas para o mesmo produto
Um produto não possui apenas uma única maneira de ser comunicado.
Considere um treinamento sobre comunicação.
Você poderia trabalhar:
confusão versus clareza
ser ignorado versus ser percebido
muitas ideias versus pouca execução
informação versus história
comunicação genérica versus mensagem memorável
seguir tendências versus construir identidade
São diferentes portas de entrada para a mesma solução.
Essa variedade ajuda a produzir novos criativos sem simplesmente trocar cor e legenda.
Novo criativo não significa apenas nova estética
Muitas operações dizem estar testando criativos quando, na prática, mudaram apenas:
- fundo;
- thumbnail;
- cor;
- edição;
- música.
Essas alterações podem ser úteis.
Mas existe outro nível de teste:
testar ideias.
Uma narrativa nova pode mudar completamente a forma como o público percebe a oferta.
Por isso, tenha uma biblioteca de ângulos, não apenas uma pasta de layouts.
Crie uma matriz de contrastes
Uma prática simples é abrir uma planilha e preencher duas colunas.
Coluna A — aquilo que o público não quer
Exemplos:
- ser ignorado;
- depender de indicação;
- ter muitas ideias e pouca execução;
- publicar sem retorno;
- ter uma empresa vazia;
- perder horas em tarefas manuais.
Coluna B — aquilo que ele deseja
Exemplos:
- ser lembrado;
- criar demanda;
- transformar ideias em resultado;
- produzir conteúdo com propósito;
- aumentar oportunidades;
- construir processos.
Agora combine os lados.
Cada combinação pode originar um anúncio.
Use a voz real do cliente
Os melhores contrastes geralmente ficam mais fortes quando são escritos na linguagem que o público utiliza.
Talvez o empresário não diga:
“Eu preciso aumentar minha previsibilidade de aquisição.”
Ele diz:
“Não sei de onde vai vir o próximo cliente.”
Essa segunda frase produz muito mais imagem.
Colete vocabulário real.
Storytelling também depende de palavras que pareçam pertencer à vida de quem está lendo.
Informação explica; história permite visualizar
Dados são úteis.
Mas um dado sozinho pode permanecer abstrato.
Imagine:
“70% dos contatos chegam pelo celular.”
Agora imagine apresentar a situação:
“Seu potencial cliente vê o anúncio enquanto está no celular, clica e encontra uma página que demora tanto para abrir que fecha antes de conhecer sua oferta.”
A segunda comunicação cria uma sequência de acontecimentos.
Você consegue visualizar.
Um bom conteúdo pode combinar ambos:
dado + cenário.
Repetição ajuda a construir associação
Quando uma empresa encontra uma ideia forte, não precisa abandoná-la na semana seguinte apenas porque já falou sobre ela uma vez.
Comunicação consistente depende de repetição.
Uma marca pode se apropriar de determinados:
- conceitos;
- expressões;
- metáforas;
- contrastes;
- maneiras de explicar o problema.
Com o tempo, o público começa a associar essas ideias à marca.
O objetivo não é repetir exatamente o mesmo post.
É explorar a mesma ideia central por diferentes histórias.
Ter uma mensagem reconhecível é diferente de repetir conteúdo
Imagine uma empresa que defende constantemente:
processo acima de improviso.
Ela pode falar sobre isso por meio de:
- anúncio;
- história de cliente;
- bastidor;
- tutorial;
- comparação;
- estudo de caso;
- erro comum;
- vídeo curto.
O formato muda.
A mensagem permanece.
É assim que comunicação começa a formar posicionamento.
Storytelling também melhora apresentações comerciais
O princípio não precisa ficar restrito aos anúncios.
Imagine um gestor tentando vender tráfego pago.
Uma apresentação tradicional poderia dizer:
“Fazemos gestão de campanhas, otimização, relatórios e remarketing.”
Tudo correto.
Agora pense em dois cenários.
Empresa sem uma estratégia de aquisição
Depende principalmente de movimento espontâneo, indicação ou alcance orgânico.
Empresa com um processo de distribuição
Consegue colocar suas ofertas diante de novas pessoas de maneira planejada e acompanhar os resultados.
A conversa muda.
Você não está apenas descrevendo tarefas.
Está ajudando o cliente a visualizar duas realidades.
Venda precisa tornar o resultado concreto
Quando alguém avalia contratar um serviço, tenta imaginar:
“O que muda para mim?”
Ajude a responder.
Em vez de falar apenas:
“Vamos otimizar suas campanhas.”
Mostre o impacto esperado da atividade, sem garantir aquilo que não pode controlar.
Por exemplo:
“Hoje você depende de clientes descobrirem sua empresa. O objetivo da campanha é criar uma segunda fonte de oportunidades e medir quanto custa gerar cada contato.”
Agora existe relação com o negócio.
Use contraste também para explicar estratégias
Imagine que o cliente não compreenda por que você quer produzir novos criativos.
Você pode dizer:
“Temos duas opções: continuar exibindo as mesmas peças até a resposta cair ou manter uma rotina de novas mensagens para descobrir outros ângulos que o público aceita.”
A escolha fica visual.
Isso é mais claro do que simplesmente falar:
“Precisamos renovar assets devido à fadiga.”
Comunicação profissional também melhora quando reduz jargão e aumenta imagem.
Clareza vale mais do que parecer sofisticado
Existe uma tentação de utilizar termos complexos para demonstrar conhecimento.
Mas se a pessoa não entende, você perdeu parte da comunicação.
Uma explicação simples não torna o trabalho menos profissional.
Pode fazer exatamente o contrário.
Quem compreende profundamente alguma coisa geralmente consegue apresentar sua lógica de maneira direta.
Pergunte:
Meu cliente consegue repetir aquilo que acabei de explicar?
Se não consegue, talvez a mensagem esteja complicada demais.
Criatividade aparece durante a execução
Outro princípio forte do material é que novas ideias frequentemente surgem enquanto alguma coisa está sendo feita.
Você planeja um anúncio.
Começa a gravar.
Durante a execução, percebe outra possibilidade.
Experimenta.
Essa segunda ideia pode ser melhor que a primeira.
Isso não significa que planejamento seja inútil.
Significa que planejamento e movimento possuem funções diferentes.
Planejamento fornece direção.
Movimento produz material para aprender.
Não espere a ideia perfeita para começar
A busca pelo criativo perfeito pode virar procrastinação.
Uma rotina mais produtiva é:
hipótese → produção → publicação → análise → nova hipótese.
Quanto mais você executa, mais dados possui.
Quanto mais dados, melhor pode ficar a próxima ideia.
Criatividade aplicada à performance não precisa depender exclusivamente de inspiração.
Ela pode ser tratada como processo.
Produza volume de narrativas, não apenas volume de anúncios
Existe uma diferença importante.
Criar vinte anúncios dizendo exatamente a mesma coisa com pequenas mudanças visuais não é o mesmo que testar vinte conceitos.
Uma operação madura pode desenvolver diversas narrativas para o mesmo produto.
Por exemplo:
- desejo versus problema;
- cenário atual versus futuro;
- escolha A versus B;
- antes versus depois;
- velho método versus nova abordagem;
- excesso versus simplicidade;
- improviso versus processo.
Depois cada narrativa pode receber diferentes execuções.
Isso aumenta significativamente a quantidade de testes relevantes.
Use o contraste no CTA
A chamada para ação também pode recuperar os dois cenários.
Em vez de simplesmente:
“Clique aqui.”
Você pode terminar:
“Você pode continuar tentando descobrir sozinho por que seus anúncios são ignorados ou conhecer uma estrutura para transformar ideias em criativos mais claros. Clique para saber mais.”
A dualidade prepara a decisão.
O CTA apresenta o próximo passo.
Novamente, sem prometer garantias.
Não transforme todo CTA em ameaça
Existe diferença entre apresentar consequências plausíveis e pressionar exageradamente.
O objetivo é ajudar a pessoa a perceber a escolha.
Não produzir medo artificial.
Um CTA sustentável preserva autonomia.
A pessoa entende:
- onde está;
- qual possibilidade existe;
- qual próximo passo pode tomar.
Depois decide.
Simplicidade é uma vantagem competitiva
Em um ambiente cheio de ruído, uma mensagem simples pode ter enorme força.
Não porque o público seja incapaz de compreender coisas complexas.
Mas porque atenção é limitada.
Se alguém precisa assistir três minutos apenas para descobrir sobre o que é o anúncio, você já criou uma barreira.
O contraste ajuda justamente a reduzir essa complexidade.
Você está aqui.
Quer chegar ali.
Isto está no caminho.
Esta é a proposta.
Existe uma narrativa.
Um roteiro básico para criar seu próximo anúncio
Você pode utilizar esta estrutura como exercício.
1. Defina o desejo
O que a pessoa realmente quer?
Não o que seu produto possui.
O que ela quer.
2. Identifique o problema
O que está impedindo ou dificultando o resultado?
3. Construa os dois cenários
Como é permanecer na situação atual?
Como seria avançar?
4. Escolha uma imagem
Qual situação concreta representa esse contraste?
5. Crie o gancho
Pode ser pergunta, afirmação ou pequena cena.
6. Desenvolva a tensão
Mostre por que existe diferença entre os lados.
7. Apresente sua solução
Explique como ela participa da mudança.
8. Termine com decisão
Mostre o próximo passo de maneira clara.
Exemplo para um gestor de tráfego
Desejo
Ter clientes novos com maior regularidade.
Problema
Depender apenas de indicação.
Contraste
esperar indicação versus criar distribuição.
Gancho
“Seu próximo cliente precisa conhecer alguém que já comprou de você?”
Desenvolvimento
Explique que indicação pode continuar sendo valiosa, mas depender exclusivamente dela limita a capacidade de controlar aquisição.
Solução
Apresente anúncios como uma maneira de distribuir a oferta e medir a geração de oportunidades.
CTA
Convide o empresário a conhecer a estratégia.
Todo o criativo nasce de uma única tensão.
Exemplo para um negócio de produtividade
Desejo
Executar mais.
Problema
Planejamento excessivo.
Contraste
preparar versus começar.
Gancho
“Quantos projetos você já organizou perfeitamente e nunca começou?”
A partir daí, a história praticamente se escreve sozinha.
Exemplo para produção de conteúdo
Desejo
Ser percebido.
Problema
Comunicação genérica.
Contraste
publicar mais versus comunicar melhor.
Gancho
“Talvez você não precise de mais posts. Talvez precise dar um motivo para alguém lembrar do próximo.”
Observe que a estrutura não precisa ser agressiva.
O contraste por si só cria curiosidade.
Revise se o anúncio realmente possui dois lados
Antes de publicar, faça um teste simples.
Pergunte:
Quais são os dois elementos que estão em tensão neste criativo?
Se você não consegue responder, talvez a mensagem esteja apenas distribuindo informação.
Isso não significa que todo anúncio obrigatoriamente precise utilizar contraste.
Mas, quando a intenção é criar uma narrativa mais forte, essa pergunta ajuda muito.
Não force dualidade onde ela não existe
Existe um risco ao aprender qualquer estrutura de copywriting: começar a enxergá-la como regra absoluta.
Nem toda comunicação precisa apresentar dois lados.
Alguns anúncios podem funcionar por:
- demonstração;
- prova;
- oferta;
- novidade;
- curiosidade;
- humor;
- conteúdo.
Contraste é uma ferramenta.
Uma ferramenta poderosa, mas ainda uma ferramenta.
Use quando melhorar a clareza da mensagem.
O criativo precisa continuar sendo verdadeiro
Não crie:
produto ruim versus seu produto perfeito
se isso não puder ser demonstrado.
Não crie:
fracasso versus sucesso garantido
porque resultado depende de várias condições.
Não crie:
antes e depois
de maneira enganosa.
Storytelling não é licença para distorção.
A força da narrativa aumenta quando a pessoa reconhece verdade na situação apresentada.
A melhor história ajuda a pessoa a reconhecer a própria situação
Esse talvez seja o ponto central.
Você não precisa necessariamente convencer alguém usando uma quantidade gigantesca de argumentos.
Uma comunicação forte ajuda a pessoa a olhar para a mensagem e pensar:
“Eu estou exatamente aí.”
Depois:
“E eu prefiro estar do outro lado.”
Nesse momento, sua solução entra dentro de uma história que a pessoa já compreende.
O anúncio deixa de falar apenas sobre a empresa.
Passa a falar sobre uma decisão que o público reconhece.
Storytelling não é enfeite do criativo
Ele não deve ser usado apenas para deixar o anúncio mais emocionante.
Storytelling organiza a percepção.
Ajuda a transformar:
produto em transformação;
informação em imagem;
problema em tensão;
benefício em cenário;
CTA em decisão.
É por isso que pode aparecer em anúncios, páginas, vídeos, apresentações e conversas comerciais.
Seu próximo anúncio pode começar com duas colunas
Você não precisa de um roteiro elaborado para começar.
Abra uma folha.
De um lado escreva:
O que meu cliente vive hoje?
Do outro:
O que ele deseja viver?
Depois encontre aquilo que impede a passagem.
Agora você possui matéria-prima para uma narrativa.
Faça uma pergunta.
Crie uma cena.
Grave uma versão simples.
Coloque em movimento.
Analise a resposta.
Então produza a próxima.
O storytelling para criativos funciona melhor quando deixa de ser tratado como uma técnica reservada a grandes campanhas e passa a fazer parte da maneira como você pensa comunicação.
Não tente falar tudo.
Crie uma ideia clara.
Mostre os dois lados.
Faça a pessoa visualizar.
E dê a ela um motivo para não passar pelo seu anúncio de maneira completamente indiferente.
Porque, em uma internet cheia de mensagens, ser compreendido já representa uma enorme vantagem.